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Ideias e Conexões

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Publicada: 16/02/2012

Sonia Dias passa a assinar coluna no Portal Cenpec

logo - coluna SoniaA partir deste ano, o Portal Cenpec passa a contar com a valiosa contribuição da jornalista Sonia Dias. Com experiências profissionais tanto na área editorial como em organizações da sociedade civil, Sonia integrou a equipe interna do Cenpec entre 2006 e 2011. Em 2010, obteve o título de mestre pela PUC-SP estudando o uso das redes sociais pela Articulação de Mulheres Negras do Brasil (AMNB).

Contemplada com uma bolsa da Comissão Fulbright concedida pelo governo norte-americano, Sonia estuda atualmente na área de Educação da Vanderbilt University, em Nashville, Tennessee. Em sua coluna, Idéias e Conexões, deve aproveitar o contato com professores e especialistas que visitam a universidade para produzir análises, realizar entrevistas, compartilhando um pouco com o público leitor do Portal Cenpec o que vem sendo pesquisado e debatido sobre educação no universo acadêmico norte-americano.

“Vejo questões bastante parecidas em relação à educação pública brasileira, como as diferenças de desempenho entre alunos/escolas de níveis socioeconômicos diferentes, entre negros e brancos, avaliação (de alunos e professores), sobre a qualidade da formação dos professores, ou o impacto das políticas públicas”, compara.

Em entrevista ao Portal Cenpec, ela fala sobre seu histórico profissional e sua dissertação de mestrado e como vem sendo sua experiência nos Estados Unidos. 

Sonia DiasVocê poderia começar falando um pouco sobre a sua formação profissional.
Me formei em Jornalismo e Psicologia, mas acabei sempre trabalhando em torno do tema educação. Em 2009, fiz mestrado em Comunicação, com uma pesquisa sobre Rede de ONGs de Mulheres Negras.

Como foi essa sua transição do jornalismo para o terceiro setor?
Na verdade foi um caminho de idas e vindas. Comecei no Jornalismo, fui para o terceiro setor, voltei para o Jornalismo e depois voltei para o terceiro setor. Deixa explicar: comecei trabalhando em Jornalismo, fazendo preparação de textos, na Editora Abril, mas acabei saindo, tive filhos, fiquei um tempo em casa e me formei em Psicologia. Ao retomar o trabalho, fui para a Ação Comunitária do Brasil na formação e acompanhamento de professores comunitários. Depois, voltei para a Abril como editora do site do Guia do Estudante, e também com algumas matérias para as publicações. Passei um tempo na comunicação corporativa da Natura até chegar ao Cenpec, em 2006.

Sobre sua trajetória acadêmica, como foi a escolha do tema da sua dissertação de mestrado e o que você destacaria desse estudo?
Olha, foi meio difícil escolher um tema. Na época, estava muito interessada em análise de redes sociais e internet e queria de alguma maneira envolver a questão racial. Acabei descobrindo a Articulação de Mulheres Negras do Brasil, que reúne mais de 20 ONGs que atuam na questão de gênero. Foi um achado. Elas justamente só existiam porque podiam se falar pela internet! Descobri que elas têm conquistas superimportantes, como levar cerca de 200 mulheres para a Conferência Mundial contra o Racismo. E ainda fazer eleição de delegadas pela internet. Imagina? Foi ótimo. Nilza Iraci, presidente do Geledés e uma das fundadoras da AMNB foi à defesa [do mestrado]; foi muito legal.
 
E como se deu essa sua ida para os Estados Unidos?
Na verdade, estou nos Estados Unidos por meio de bolsa da Comissão Fulbright, que é do governo americano, concedida por meio do Humphrey Program. Essa é uma bolsa não-acadêmica, destinada a profissionais em meio de carreira. Este ano, foram selecionados 202 profissionais de 98 países, de várias áreas diferentes, como educação, saúde pública, direitos humanos, comunicação, desenvolvimento comunitário etc. Estou na Vanderbilt University, que fica em Nashville, Tennessee, na área de Educação. É uma universidade ótima, com excelentes professores, bibliotecas, palestras de professores de vários lugares dos Estados Unidos e outros países. Além disso, temos também a oportunidade de visitar escolas de todos os níveis, organizações não-governamentais e as iniciativas de educação que estão sendo desenvolvidas aqui nos Estados Unidos para a melhoria da educação. Está sendo ótimo. É uma vida em um ano...

Dentro dos temas que você vem estudando aí, o que mais lhe chamou a atenção na produção acadêmica americana?
A pós-graduação em Educação da Vanderbilt tem sido considerada a melhor dos Estados Unidos há alguns anos. Eles são bastante fortes na área de políticas educacionais, formação de professores e educação especial.

Na formação de professores, existe uma preocupação enorme com a qualidade das aulas, com as técnicas pedagógicas. É interessante que existe um costume aqui de os professores assistirem as aulas uns dos outros e trocarem comentários. Professores que se destacam são chamados a dar aulas e ajudar outros a preparar suas aulas durante as ferias de verão, por exemplo. Outro tema é a formação de liderança, tanto para diretores quanto para professores. Existem muitos programas específicos para isso.

É importante destacar o tema da diversidade. Aqui essa questão é superimportante. Os Estados Unidos têm um número muito grande de estrangeiros e isso tem um impacto direto na escola. Aqui em Nashville, por exemplo, tem escola com alunos de mais de 30 países diferentes. Com isso, a maioria desses alunos não fala inglês muito bem, tem costumes e religiões diferentes. É bastante complexo, mas me chama a atenção o fato de que, acima de tudo, a diversidade é considerada um valor. A diversidade promove troca e estimula o desenvolvimento de todos.

Qual a sua expectativa em relação a sua colaboração para o Portal Cenpec?
Já estou aqui nos Estados Unidos há sete meses, tenho aprendido muito sobre o sistema educacional americano na teoria e prática, com visitas, estágios e cursos, além das trocas com profissionais de outros países, sem falar a experiência dos meus filhos, que estão na escola pública. Tenho visto ótimas experiências e outras, polêmicas ou questionáveis. Vejo questões bastante parecidas em relação à educação pública brasileira, como as diferenças de desempenho entre alunos/escolas de níveis socioeconômicos diferentes, entre negros e brancos, avaliação (de alunos e professores), sobre a qualidade da formação dos professores, ou o impacto das políticas públicas. Gostaria de poder contribuir um pouco para os debates apaixonados do Cenpec apresentando algumas experiências, ideias, políticas e profissionais daqui. Acho que existe muito a ser compartilhado da experiência americana, não como simples cópia – porque temos características bastante diferentes –, mas como inspiração, motivação, crítica ou simplesmente como informação.



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