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Professores relatam como trabalham a produção de textos a partir de situações concretas
Vinte e cinco exemplos de como a produção de textos pode e deve partir de situações comunicativas concretas foram apresentados nesse segundo dia de atividades do Seminário “A Escrita sob foco: Uma reflexão em várias vozes”, uma iniciativa do Ministério da Educação e da Fundação Itaú Social com a coordenação técnica do Cenpec, realizada no âmbito das ações da Olimpíada de Língua Portuguesa.
A profa. Maria Vioneide Linhares, de Patu (RN), apresentou o projeto “Correio da Amizade”. Disposta a despertar nos alunos o interesse pela escrita, a professora optou por um gênero hoje considerado obsoleto e quase desconhecido pelos alunos: a carta.
O processo de produção da carta, que teria como destinatário um aluno de outra escola do município, foi antecedido pela apresentação das características do gênero, a montagem de um “mural de cartas” escritas por parentes e trazidas de casa pelos alunos e incluiu ainda uma sessão de cinema na qual foi exibido o filme “Central do Brasil”, de Walter Salles. O título foi escolhido porque a protagonista da história é Dora, uma “escrevinhadora” de cartas. “O filme serviu para eles perceberem a importância de saber ler e escrever. Eles ficaram muito sensibilizados com aquilo, foram despertando para essas questões que os incentivavam a escrever”, conta Vioneide.
Em Cabrobó, município do sertão pernambucano, a profa. Lorenna Sampaio também lançou mão do gênero carta, porém do tipo argumentativa, para trabalhar a produção textual. Como mote dos textos, ela partiu de uma situação real, um problema concreto que vinha afetando desempenho dos alunos moradores da zona rural da cidade: a falta de transporte escolar. Expôs a situação à turma, que imediatamente aderiu à proposta da professora de escrever uma carta ao prefeito pedindo a resolução da questão.
Lorenna orientou os alunos a se informarem e lerem documentos que embasassem o pedido, como a Lei de Diretrizes e Bases e o Estatuto da Criança e do Adolescente. “Reforcei que eles precisavam ter bons argumentos para convencer as autoridades”, lembrou. Ao final, os próprios alunos chegaram a um consenso em torno da melhor carta, que foi entregue ao prefeito. O objetivo foi alcançado: foram providenciados mais ônibus para a escola.
No encerramento da sua apresentação, Lorenna ressaltou: “O texto tem que ter uma função social. Encaro a prática de sala de aula como um instrumento de tranformação social”.
Em entrevista ao Portal Cenpec, Lorenna destacou como as ações de formação da Olimpíada vêm impactando a sua prática. “Profissionalmente é um crescimento que eu não tenho nem como descrever. A gente é muito valorizada e isso enriquece demais a nossa prática. Além do mais, eu vou poder levar para as minhas colegas de escola, porque esse trabalho é muito rico”, acredita.
Na avaliação de Isaac Ferreira, que participa do Seminário como representante da Secretaria de Educação de Santa Catarina, "os relatos são práticas que de alguma maneira rompem com as formas tradicionais de ensino da língua".
Participante como ouvinte em um dos grupos de apresentação dos relatos, a pesquisadora do Laboratório de Estudos de Linguagem, Leitura, Escrita e Educação (Leduc) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Elizabeth Orofino Lucio, observou a oportunidade de diálogo entre academia e professores proporcionada por essa atividade de apresentação de práticas docentes.
“Historicamente, a universidade sempre prescreveu uma forma para o trabalho docente, mas nunca assumiu a responsabilidade pelo êxito ou não dessas propostas. No momento em que um evento macro como essa promove a reunião do especialista com o professor de sala de aula, trazendo relatos docentes de práticas de ensino da língua, podemos parar e dialogar para refletir sobre os caminhos que precisamos seguir no ensino”, analisou Elizabeth.
Confira abaixo a relação dos relatos de prática apresentados no Seminário:
Fabiana Hiromi
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