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Entrevista - Edna Borges, coordenadora de EF/ MEC

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Publicada: 09/08/2011

Para o MEC, é papel da escola promover junto à comunidade debate sobre indicadores

Edna Borges, do MEC (educacao.rj.gov.br)Em entrevista ao Portal Cenpec, a coordenadora de Ensino Fundamental do Ministério da Educação, Edna Martins Borges, fala sobre a posição do MEC em relação à proposta de tornar obrigatória a fixação de placa na porta das escolas com seu respectivo Ideb. Ela ressalta a importância da divulgação dos indicadores para a sociedade, mas aponta a necessidade de as escolas desenvolverem junto à comunidade um trabalho para compreensão e discussão dos dados.

“Acreditamos que para mobilizar a comunidade a escola tem que ter uma ação indutora. Ela deve chamar a comunidade para discutir esses indicadores todos e os outros problemas que enfrenta e traçar junto com a comunidade estratégias para melhorar aquela escola”.

Ela também comenta as dificuldades que os próprios técnicos das secretarias enfrentam na interpretação dos resultados da Prova Brasil e menciona algumas ações desenvolvidas pelo Mec e pelo Inep com objetivo de auxiliar os gestores nessa tarefa.

Qual a posição do MEC em relação à proposta de colocar na porta das escolas placas com seu respectivo Ideb?

Temos feito a seguinte discussão aqui no MEC: primeiro, é importante que todos os pais tomem conhecimento do Ideb da escola; esse movimento é imprescindível para que a gente consiga avançar na qualidade da educação brasileira. É um movimento que deve ser não só dos pais, mas de toda a sociedade brasileira: conhecer a educação e se envolver diretamente.

Desde 2005, o MEC já encaminha para as escolas cartazes que mostram o Ideb da escola, do município, do Estado, do Brasil e outros dados: os resultados da Prova Brasil, a taxa de evasão, de reprovação. A gente sabe que em muitos lugares esse cartaz não cumpriu o seu objetivo, que era de os diretores fazerem uma discussão com os seus professores e com a sua comunidade.

Com relação à placa na porta da escola, não temos nenhum impedimento, empecilho para que isso aconteça. Mas é importante que as escolas não coloquem uma placa, pura e simplesmente, porque o Ideb, puro e simples, não diz nada. Uma coisa é o ideb de uma escola pública, situada em um bairro de classe média alta. Outra coisa é o Ideb de uma escola situada em uma região vulnerável.

Então, é importante que essa discussão do Ideb seja contextualizada. As pesquisas mostram que as notas dos alunos estão relacionadas ao nível socioeconômico da família e da comunidade na qual a criança vive.

Mais do que colocar uma placa com o Ideb na porta da escola, é importante que a escola faça essa discussão, um grande movimento de mobilização da comunidade, um projeto escola-comunidade para que a comunidade entenda o significado do Ideb e discuta como ela, dentro das suas possibilidades – mesmo que alguns pais não tenham escolarização – pode ajudar na educação dos seus filhos. É esse o debate que estamos fazendo. Não somos contra [a proposta], mas chamamos a atenção para a necessidade de a discussão não se dar de forma descontextualizada.

O Gustavo Ioschpe, autor da proposta, acredita que a medida geraria uma mobilização imediata dos pais.

Uma placa por si só não gera mobilização, porque o que a placa diz para o pai, que muitas vezes não acompanha a discussão [sobre o indicador]? Não diz nada. Acreditamos que para mobilizar a comunidade a escola tem que ter uma ação indutora. A escola pode colocar uma placa sim, que tenha não só o Ideb, mas informações como taxa de evasão, de reprovação. Ela deve chamar a comunidade para discutir esses indicadores todos e os outros problemas que enfrenta e traçar junto com a comunidade estratégias para melhorar aquela escola.

O MEC tem alguma ação no sentido de auxiliar os técnicos das secretarias a fazerem a leitura, a interpretação dos dados da Prova Brasil, do Ideb?

Existe mesmo uma dificuldade das escolas na interpretação da escala de proficiência da Prova Brasil. Os cartazes que vão para as escolas mostram as escalas, que são mesmo complexas e de difícil compreensão.

O Ministério da Educação tem feito um movimento de tentar facilitar a compreensão dessa escala. Acabamos de distribuir a todas as escolas que participarão da Prova Brasil, em novembro, uma publicação que se chama “Prova Brasil: Matrizes de Referência, Tópicos e Descritores”. Ela tem um pouco esse objetivo, porque traz a discussão da matriz de referência, de todas as habilidades que são testadas na prova, e o que significam os erros que os alunos cometem e como interpretar as escalas de proficiência. (Clique aqui para ler a publicação) Esse também é um trabalho de formação docente. Só agora o MEC e o Inep vêm se voltando mais para essa ação de formação dos gestores.

Na quinta e sexta-feira passadas (4 e 5) o Inep realizou um seminário de dois dias do qual participaram gestores estaduais das secretarias de Educação que trabalham com a Prova Brasil e representantes das Undimes estaduais. Nesse evento, uma das discussões foi justamente como interpretar os resultados da Prova Brasil. É, portanto, uma ação de formação que está sendo feita.

A coordenação de Ensino Fundamental fez, dois meses atrás, uma videoconferência – que teve mais de 1300 pontos conectados pela web – e o tema da discussão foi a Prova Brasil também. É um processo longo de formação, principalmente dos docentes que trabalham com Língua Portuguesa e dos coordenadores pedagógicos. Nós sabemos que ainda existe um número muito grande de coordenadores que não conhecem o Ideb da escola, quanto mais a escala de proficiência (Confira na Biblioteca do Portal Cenpec os resultados de pesquisa das Fundações Carlos Chagas e Victor Civita, que constatou que metade dos coordenadores pedagógicos desconhecem o Ideb da escola em que atuam).



Fabiana Hiromi
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