Notícias
Observatório da População Negra, lançado ontem (21), deve subsidiar políticas de promoção da igualdade racial
No dia que marca a luta pela eliminação da discriminação racial (21 de março), a Faculdade Zumbi dos Palmares, em parceria com a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) e a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), lançaram, em São Paulo, o Observatório da População Negra. Trata-se do primeiro banco de dados sobre a população negra organizado nos seguintes temas: mercado de trabalho, distribuição de renda, demografia, acesso à informação, habitação, estrutura familiar e educação. O Observatório também deve promover pesquisas sobre a questão racial, contribuindo para a construção e o aprimoramento das políticas de superação da desigualdade racial.
“O Observatório vem contribuir com evidências, materializando a desigualdade racial e subsidiando as políticas públicas”, destacou a profa. Elaine Barbosa, uma das pesquisadoras do Observatório.
O representante da Seppir, Mario Theodoro, também salientou em sua fala a importância da criação de um banco que produza e congregue informações sobre a população negra, algo essencial para a produção científica referente ao tema. “Até tempos atrás, não havia dados sobre a questão racial. Por essa razão, ela não podia ser estudada cientificamente, não era problematizada”, relatou. Ele afirmou ainda que a Seppir está finalizando o desenvolvimento de um “grande programa de ações afirmativas”, pactuado com oito ministérios e estruturado em três áreas: educação, trabalho e comunicação e cultura. De acordo com informações da Agência Brasil, o programa será lançado em abril.
Em sua apresentação, Ricardo Paes de Barros, da SAE, deu uma amostra dos dados disponíveis no site apresentando alguns gráficos que revelam as disparidades entre os indicadores relativos à média da população brasileira e os relacionados aos negros, tais como: embora a população negra corresponda a 51% da população brasileira, ela participa com apenas 16% do 1% da população mais rica; representa 42% da população com mais de 65 anos; apenas 20% dos negros possuem pós-graduação ou ganham mais de dez salários mínimos.
Na análise de Barros, os números mostram que “na redução da extrema pobreza, o hiato se reduziu drasticamente, mas nas realizações mais nobres, ele se manteve”. Isto é, no acesso a serviços básicos, como saneamento, os avanços foram acelerados e caminham para a média da população. No caso de bens e serviços que simbolizam acesso a posições de maior prestígio na sociedade, isso não se verifica.
A profa. Cida Bento, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), destacou o fato de o Observatório estar hospedado na Faculdade Zumbi, “uma instituição comprometida com a população negra”. Para ela, a iniciativa contribui para a reflexão sobre como os recursos públicos podem ajudar a superar o gap existente entre brancos e negros. E complementou: “Políticas universais não dão conta de mudar isso”, enfatizou.
Parceria Zumbi dos Palmares e Cenpec - Em setembro do ano passado, à convite da Superintendência e Coordenação Técnica do Cenpec, as professoras da Fundação Zumbi dos Palmares - Roseli Oliveira, Telma da Silva Martins e Andreia Fernandes - ministraram para profissionais internos e formadores a oficina "Por uma educação sem racismo".
Na apresentação foram abordados temas como o papel do educador no processo de reconciliação histórica; os desafios na implementação das leis 10.639 e 11.645 - História e Cultura Afro-brasileira e Indígena; o reconhecimento da diversidade étnico-social brasileira e a revisão das matrizes do racismo brasileira.
Fabiana Hiromi
Observação: as opiniões aqui publicadas são de responsabilidade apenas de seus autores. Os números de IP dos responsáveis pelos comentários estarão à disposição de vítimas de eventuais ofensas veiculadas neste espaço.
Saiba mais:
Ultimas notícias de Cultura





