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Escola frauda Saresp 2011

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Publicada: 22/05/2012

Fraude em Sorocaba serve de alerta para pais e sociedade

Especialistas defendem que comunidade e governo acompanhem e cobrem resultados obtidos pelas escolas em avaliações externas

Marina Morena Costa, iG São Paulo

 

Após uma investigação da Secretaria de Estado da Educação confirmar fortes indícios de que a melhor escola da rede de São Paulo fraudou o Saresp de 2011, especialistas em educação defendem o aprimoramento dos mecanismos de segurança de aplicação das avaliações e a cobrança de pais e da sociedade sobre os resultados obtidos. Todos os 27 alunos do 5º ano do ensino fundamental da escola Reverendo Augusto da Silva Dourado, de Sorocaba, interior de São Paulo, tiraram 10 em matemática no Saresp do ano. Em português, a média da turma em português foi 9,1. O desempenho garantiu à escola nota 9,3 no Idesp, índice de qualidade do Estado. No entanto, pais e alunos denunciaram ao iG que os estudantes tiveram ajuda de professores durante a avaliação e que eles chegaram até mesmo a fazer as provas.

 

Fachada da escola Reverendo Augusto da Silva Dourado que é acusada de fraude no Saresp - Foto: Marina Morena CostaA escola foi a única das mais de 5 mil unidades da rede visitada pela reportagem, por ser a primeira colocada e por ter números fora do padrão. “A Secretaria de Educação deveria fazer um esforço para conhecer as escolas que estão muito fora da curva e entender por que. Os pais e a sociedade exercem um papel importante de controle. Às vezes a escola pode dar um salto de qualidade, mas como resultado de uma ação pedagógica importante”, destaca Ana Helena Altenfelder, superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Ana acredita que o caso ficará como um “exemplo educativo”, que irá desencorajar outras escolas a seguir este caminho e estimular os pais a olhar com mais atenção para a escola de seus filhos. O Saresp, assim como outras avaliações do ensino, tem como função principal produzir informações sobre as escolas para melhorar a qualidade do ensino e orientar as políticas educacionais. Além disso, a avaliação da rede estadual paulista é um dos três fatores que compõem o bônus salarial dos funcionários da educação – a frequência do profissional e os dados de fluxo escolar (aprovação, reprovação e abandono) também entram no cálculo.



A pressão por obter resultados satisfatórios estimula os profissionais a realizarem manobras ilícitas, na opinião de Silvia Colello, professora-doutora de Psicologia da Educação da Universidade de São Paulo (USP). “Fico muito preocupada com o uso e as aplicações dessas avaliações. Elas são importantes para as escolas definirem rumos, estratégias, e direções. Mas há escolas que trabalham em função do Saresp e o resultado aparece como um treinamento técnico e não como de uma efetiva formação do aluno. O estudante fica craque em fazer teste”, aponta.



A ex-secretaria de Educação de São Paulo Maria Helena Guimarães Castro discorda que o bônus estimule à fraude e acredita que é necessário valorizar a evolução do desempenho. “Se o problema com o Saresp é grave, muito mais grave são os problemas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Esse tipo de evento acontece em concursos públicos, exames da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). É preciso identificar os processo falhos e aprimorá-los, para garantir a credibilidade e a idoneidade da avaliação”, destaca.


Alessandra da Silva, mãe de dois alunos da escola Reverendo Augusto da Silva Dourado que fizeram o Saresp no ano passado e denunciaram a fraude, ficou aliviada com o resultado da investigação. “Achei bom, porque eles estavam sendo criticados por terem denunciado e estavam falando a verdade”, diz. Ela, assim como outras mães e pais de alunos não sabiam da importância da prova, muito menos que a avaliação está ligada ao bônus dos professores e funcionários.

 

Fiscalização falha



A fiscal da Vunesp (empresa responsável pela elaboração e aplicação do exame) contratada para a Reverendo Augusto da Silva Dourado revelou em entrevista exclusiva ao iG que não ficou na sala durante a aplicação do teste. Segundo ela, o treinamento dos fiscais determina que eles não devem permanecer em sala de aula, onde ficam apenas professores. Os fiscais devem fazer apenas duas visitas durante a prova e anotar em um relatório. Audrey (que prefere não revelar o sobrenome), 29 anos, contou que ficou na biblioteca da escola, enquanto o Saresp era aplicado.



iG Educação
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