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Educação integral está entre os focos de atuação do Cenpec

O Cenpec tem uma longa trajetória relacionada ao tema educação integral. Ela teve início em 1995 com a criação do Prêmio Itaú-Unicef, iniciativa da Fundação Itaú Social em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), coordenada pelo Cenpec. Atualmente na sua 8ª edição, a premiação tem como objetivo dar visibilidade ao trabalho de organizações não-governamentais que, articuladas com a escola, desenvolvem ações socioeducativas com crianças, adolescentes e jovens.
Para a gerente da Fundação Itaú Social, Isabel Santana, ao longo de sua história, o Prêmio vem trazendo contribuições importantes para reflexão sobre educação integral no País. “O Prêmio dá visibilidade para outros atores que estão fora do espaço escolar, mas contribuem com ele. Essa é uma contribuição muito importante que o prêmio agregou à concepção de educação integral, mostrando que é de fato possível pensar estratégias de educação, com intencionalidade pedagógica, sem estar restrito aos muros da escola”, destaca.
Por outro lado, ao mesmo tempo em que reconhece esses outros atores e espaços educativos, a premiação enfatiza a importância do diálogo com a escola. “Não é possível pensar a formação integral de crianças, adolescentes e jovens só dentro da escola nem abrindo mão da educação formal que a escola oferece. Acho que esse equilíbrio de olhares, sob a perspectiva da complementaridade, é a grande riqueza que o Prêmio traz para discussão da educação integral”, acredita Isabel.
Como um desdobramento do Prêmio Itaú-Unicef, o Cenpec e a Fundação Itaú Social devem lançar no próximo ano uma publicação sobre educação integral no País. A obra, atualmente em fase de finalização, foi produzida a partir de um levantamento prévio das experiências de educação integral em andamento no País; dessas iniciativas, foram selecionadas 16 (sendo 10 delas mantidas pelo poder público e seis encabeçadas por organizações da sociedade civil), para onde foram feitas visitas de campo e realizadas entrevistas com alunos, professores e gestores, com o intuito de conhecê-las mais profundamente.
Mais do que relatar essas experiências, a publicação procura estimular a reflexão sobre os desafios para se empreender a educação integral no País. “Pretendemos discutir algumas questões relacionadas à gestão, ao monitoramento e à avaliação, aliadas ao projeto pedagógico”, explica a coordenadora da pesquisa, Eloísa de Blasis.
Ainda dentro dessa perspectiva de colocar o tema da educação integral na agenda pública, O Cenpec e a Fundação Itaú Social lançaram recentemente um banco de oficinas, instalando no novo Portal do Cenpec, que visa subsidiar educadores de escolas e ONGs na proposição de atividades que podem ser desenvolvidas em diferentes espaços. “As oficinas são formas de trabalho que propiciam a vivência, o trabalho em grupo. Mobilizam de forma articulada pensamento, sentimento, linguagem e ação”, explica a gerente de projetos do Cenpec, Maria Estela Bergamin.
Na rede, os interessados no tema também podem acessar o novo site Educação Integral. O endereço reúne um pouco da história e do que está acontecendo nos projetos mantidos pela Fundação Itaú Social que ilustram a concepção de educação integral defendida pela instituição: o Programa Jovens Urbanos, que também conta com a coordenação técnica do Cenpec, e o Prêmio Itaú-Unicef.
“O novo site está bastante rico de conteúdo, de informações. Ele se propõe a conversar com pessoas, escolas e organizações envolvidas com o tema e vem para contribuir com o aprofundamento conceitual, reunindo textos que tratam de diferentes aspectos da educação integral”, acredita Isabel.
Tempo de Escola
Em função do expertise acumulado pelo Cenpec em estudos e projetos sobre educação integral, a instituição foi convidada pela Prefeitura de São Bernardo do Campo a assessorá-la no desenvolvimento e implantação do programa de educação integral do município, batizado de Tempo de Escola.
Iniciado há quatro meses, o programa atende a 6.750 alunos do Ensino Fundamental I, de 30 escolas, o que corresponde a 30% da rede municipal. Neste primeiro momento, foram priorizadas as escolas localizadas em áreas de maior vulnerabilidade, mas a perspectiva é que o programa seja progressivamente ampliado até contemplar a totalidade dos alunos. As atividades que não integram o currículo formal são desenvolvidas por educadores sociais, contratados por nove ONGs parceiras, e estão organizadas em três eixos: ludicidade (jogos e brincadeiras infantis), corpo e movimento (esportes e dança) e cultura (artes cênicas, artes visuais e música).
O Cenpec responde pela formação inicial e continuada dos cerca de 150 educadores sociais, dos professores articuladores, gestores das ONGs parceiras, diretores e coordenadores pedagógicos das escolas. “No caso dos educadores sociais, procuramos trabalhar nessas formações especificidades dos campos temáticos das oficinas, além de disponibilizar repertório para o desenvolvimento das atividades e fundamentos de educação integral”, explica o pesquisador Alexandre Isaac, que integra a equipe do programa no Cenpec.
Já a formação dos gestores abrange conteúdo relacionado à gestão do programa e à articulação dos conteúdos das oficinas com o currículo formal. “A questão é: como os saberes que estão na esfera da escola dialogam com os saberes das oficinas?”, reflete Isaac.
Além de assessorar a secretaria municipal de Educação na implantação do Programa, realizando ajustes na gestão e solucionando eventuais conflitos, o Cenpec também está construindo um sistema de monitoramento e avaliação das ações.
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