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Especial Importância do brincar

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Publicada: 07/07/2009

Conheça projetos sociais que investem na disseminação do brincar e das atividades lúdicas

Projeto Brincar
Fundação Volkswagen / Cenpec

Crianças da CEMEI Maria Fernanda Piffer, de Bebedouro (SP), participante do Brincar (Foto cedida por Giselle Mestieri Martins Gallo)2008 foi um ano de conquistas para o Projeto Brincar, uma iniciativa da Fundação Volkswagen que conta com a coordenação técnica do Cenpec. Foi agraciado com o Prêmio Criança, da Fundação Abrinq, e com o Prêmio Ludicidade/Pontinhos de Cultura, do Ministério da Cultura.

Criado em 2005, o projeto tem como objetivo expandir o tempo e o espaço do brincar dentro da escola e fora dela também. "A gente incentiva a articulação da escola com a comunidade, porque os pais, ao entender este brincar, também vão valorizá-lo", esclarece a coordenadora do projeto no Cenpec, Maria Lúcia Medeiros. "Estimulamos os professores a convidar os pais a participar de brincadeiras, a ensinar outras, ou seja, a abrir essa escola, trazer esse brincar para junto da comunidade. E até mesmo sair dos muros da escola, ir para fora, atrás de um parque, de uma praça, de algo que tenha no entorno e que possa ser utilizado", complementa.

Para fomentar essa cultura do brincar, a iniciativa investe na formação de educadores. Em seu formato atual, o projeto tem duração de um ano, ao longo do qual são realizados oito encontros, nos quais são trabalhados tanto aspectos teóricos como práticos do brincar. "Fazemos exposições teóricas sobre a importância do brincar dentro do desenvolvimento infantil, o brincar dentro da cultura (em uma linha mais dentro da antropologia), dentro da escola (o tempo e espaço dedicado ao brincar, as relações que se estabelecem a partir das brincadeiras), a questão do acervo de brinquedos, as brincadeiras de faz-de-conta, os jogos de regras, a brincadeira com as diferentes linguagens expressivas etc.", explica Maria Lúcia.

Já a prática consiste em... brincar. "A gente parte do princípio de que temos que reavivar a memória dos educadores para que eles sintam o que essa brincadeira proporciona, relembrem os momentos que eles vivenciaram enquanto criança", afirma.

"Eu tenho 18 anos de [trabalho com a] educação infantil. Com a formação, estou tendo outras visões do brincar: o brincar por brincar, o brincar com intenção, enfim, estou percebendo que as crianças brincam de várias maneiras e como brincar é importante", conta uma das professoras participantes do projeto, Patrícia Laine, que leciona para crianças de um ano e meio na E.M.E.I. Elizabeth de Oliveira França Silva, em Jundiaí (SP).

Em quatro anos de existência, o Projeto Brincar já formou educadores e gestores de cerca de cinqüenta municípios, a maior parte deles do Estado de São Paulo. Neste ano, o projeto conta com quatro grupos, sendo que para três deles a formação é realizada in loco, isto é, no próprio município (Três Corações (MG), Cotia e Araraquara (SP). O quarto grupo é formado por representantes de 10 municípios.

Graças aos recursos oriundos do Prêmio Ludicidade, foi possível a formação de um quinto grupo, composto por educadores de Itapecirica da Serra (SP).


Conheça a comunidade virtual do Projeto Brincar



Projeto Bornal de Jogos - Brincando também se ensina
Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento

Bornal de Jogos, produzido e comercializado pela Dedo de Gente, cooperativa do CPCD (Foto Guilherme Horta)Tudo começou em 1995. Foi a partir dos problemas de aprendizado apresentados por Deniston, um menino de 11 anos, que surgiu o "Bornal de Jogos". Através de atividades lúdicas desenvolvidas pelos educadores do "Ser Criança", outro projeto do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD) freqüentado por Deniston, que ele conseguiu superar as dificuldades que enfrentava na escola. E graças ao interesse da professora, que ficou intrigada com a evolução do aluno, que os jogos utilizados no CPCD chegaram à escola e se espalharam por toda rede pública de ensino do município de Curvelo (MG), onde Deniston mora.

O Bornal - uma espécie de bolsa - reúne jogos que fazem parte da cultura infantil local e jogos inventados por educadores a partir de dificuldades apresentadas pelas crianças em determinados conteúdos. Os professores também são estimulados a desenvolver novos jogos a partir das demandas e dificuldades de seus alunos.

Só no primeiro ano de atividade, cerca de 3.847 docentes participaram das oficinas de formação, beneficiando 76.349 alunos. Nos anos seguintes, o projeto foi levado aos municípios mineiros de Araçuaí, Belo Horizonte, Capelinha, Carbonita, Corinto, Minas Novas, Turmalina, além de Porto Seguro (BA), Santo André (SP) e Miranda do Norte (MA). Atualmente, a utilização dos jogos é uma prática presente nas escolas públicas do município, no ambiente familiar, levada para casa pelas crianças, e segue sendo usada nos demais projetos do CPCD. O Centro também atende a pedidos de instituições e secretarias de educação interessadas na realização de oficinas.

O "Bornal de Jogos" deu origem ainda a outros dois projetos. O "Bornal de Jogos da Paz" foi desenvolvido a partir de uma solicitação do Ministério da Justiça, feita ao CPCD em 1997 após a repercussão do caso dos jovens que atearam fogo em um índio que dormia em um ponto de ônibus de Brasília. "Para lidar com a questão da agressividade dentro das escolas, vimos que era preciso discutir, através dos jogos, sexualidade, respeito, autoestima e afeto", explica Silmara Soares, coordenadora do projeto.

O "Bornalzinho de Jogos", voltado para crianças de 4 a 6 anos, trabalha aspectos pertinentes a essa faixa etária, como cores, fala e lateralidade (direita/esquerda).

Os projetos já passaram por avaliação, que constatou uma melhora no desempenho escolar das crianças e dos adolescentes. No caso do Bornal de Jogos da Paz, verificou-se que mais de 70% dos alunos participantes apresentaram mudança no comportamento e melhora no aprendizado. O acervo também foi testado e de um total de 2.167 jogos trabalhados inicialmente, foram selecionados 204, que tiveram maior impacto no desenvolvimento intelectual e emocional das crianças e adolescentes.

Silmara esclarece porque o lema do "Bornal" é "Brincando também se ensina" e não "Brincando também se aprende": "A criança já nasce sabendo brincar. Quem tem que aprender a ensinar brincando é o professor".

Para adquirir o Bornal de Jogos, o Bornal de Jogos da Paz ou o Bornalzinho de Jogos, clique aqui.



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