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Especial Arte-Educação

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Publicada: 04/08/2009

Conheça projetos que aliam arte e educação

Educação com Arte: Oficinas Culturais

Educadores durante formação no Cenpec (Foto:Viviani Leite)Desde o ano passado, o Cenpec é responsável pela realização das oficinas de arte e cultura em 22 unidades da Fundação Casa, pertencentes às divisões de Franco da Rocha, Brás e Raposo Tavares. Trata-se de uma demanda da Fundação, que procura, dessa forma, garantir o direito à arte e cultura, assegurados no Estatuto da Criança e do Adolescente.

"O Cenpec procura imprimir a sua marca no projeto, propondo uma formação continuada dos educadores e a sistematização do conhecimento em uma publicação", explica Antonio Sérgio Gonçalves, coordenador do projeto.
São realizados nas unidades entre 1.800 e 2.500 atendimentos por mês. Os adolescentes têm a disposição oficinas de capoeira, dança de rua, teatro, história em quadrinhos, rádio, artes plásticas, grafite e fotografia, entre outras, podendo optar por até duas delas. "O hip hop é minha isca e quando eles [os jovens] vêm, eu vou moldando", conta um dos arte-educadores, José Paulo, conhecido nas unidades como "Professor P".

As formações, realizadas semanalmente no Cenpec, procuram trazer referenciais teóricos para a prática dos educadores e promover a troca de experiência entre eles. "Como eles são autodidatas e já acumulam longa experiência, buscamos incrementar o conhecimento que eles já possuem e ao mesmo tempo valorizar essa experiência que eles trazem", afirma Juliana Goulart, coordenadora regional do projeto.

O contato com a arte ganha sentidos e funções específicas para aqueles meninos, marcados por uma história de violências e de luta diária pela sobrevivência, em um contexto de restrição da liberdade. "A gente percebe uma falta de subjetividade: eles não compreendem metáforas. Precisam visualizar tudo de uma forma muito prática, tudo precisa ser muito palpável", conta uma das coordenadoras regionais das oficinas, Viviani Leite. "A arte nesse sentido vem pra que esse jovem volte a ter uma capacidade de sonhar, de brincar, de experimentar, de ter uma perspectiva, de reinventar o mundo, de simbolizar", acredita.

Para Clara Cecchini, também coordenadora regional, é possível trabalhar ainda nas oficinas outro aspecto fundamental: a questão da identidade. "A arte traz essa dimensão de pertencimento. O adolescente aprende que existem outros universos simbólicos - fora aquele que conhece através da televisão ou da comunidade dele - com quem ele pode se identificar e pertencer e, a partir daí, ter uma identidade escolhida para sua vida", afirma. "Nessas intervenções culturais eles se constituem pelo olhar do outro a partir do momento em que deixam de ser vistos apenas como infratores. Nesse momento do encontro entre a expressão do adolescente, o olhar do outro adolescente e o olhar do funcionário que conhece a história de vida dele, é ali que ele tem condição de se constituir como outro", complementa.


Telinha de Cinema

Marcelo Tas em visita ao TelinhaAproveitando a "febre" dos celulares entre os adolescentes, o projeto Telinha de Cinema, da Apresentador Marcelo Tas em visita ao TelinhaONG Casa da Árvore, de Palmas (TO), com apoio do Instituto Vivo, tem como proposta democratizar e pensar o audiovisual como forma de estimular a criatividade e a experiência vocacional de jovens da periferia da cidade. Para tanto, realiza oficinas para produção de vídeos de bolso (pocket movies), utilizando recursos dos aparelhos.

Na formação, que se estende ao longo de cinco meses e é realizada no contraturno escolar, os adolescentes aprendem a manipular softwares de edição e de conversão de arquivos digitais, passando por todas as etapas de produção de vídeos, desde a concepção do roteiro, até a exibição e distribuição.  Além de aulas expositivas, também são feitas visitas a eventos culturais e artísticos e a empresas de comunicação e entretenimento.

Além do impacto sobre a formação cultural e intelectual dos meninos e meninas, o projeto também contribui no processo de educação formal. "O que mais salta aos olhos são avanços na qualidade do uso da língua portuguesa, principalmente da produção de texto. Ao comparar os primeiros exercícios de concepção de roteiro, que são peças literárias, com os últimos textos produzidos, percebemos claramente uma considerável melhora no emprego da língua portuguesa, seja no enriquecimento do vocabulário, na ortografia, conjugação e concordância verbal ou mesmo na capacidade de elaborar texto coerentes e coesos", relata a coordenadora do projeto, Leila Dias.

Para ela, a iniciativa também favorece o protagonismo juvenil e contribui para a modernização da escola, já que os participantes do Telinha acabam levando o uso das TIC's para a sala de aula. "Eles apresentam para os colegas e professores outra forma de fazer pesquisa, de apresentar estudos realizados e até mesmo de conectar a escola com o mundo do conhecimento existente da internet", acredita.

Esse impacto inesperado do projeto levou à criação do Telinha na Escola, que capacita professores de escolas públicas, no intuito de familiarizar educadores com as novas tecnologias, estimulando o uso de mecanismos interativos para auxiliar no processo de ensino/aprendizagem. "Desenvolvemos um material didático exclusivo de orientação à produção digital para ser aplicado como instrumento pedagógico, através das técnicas de produção, edição e distribuição de vídeos de bolso com uso de celular", conta.

A qualidade dos vídeos produzidos no projeto não deixa nada a desejar em termos de qualidade. Prova disso é que a produção do Telinha já integrou a programação de diversos festivais, como o Festival Visões Periféricas e o CineCufa, ambos no Rio de Janeiro, o Festival Internacional de Curtas de São Paulo e o Festival Internacional de Filmes Curtíssimos (Brasília/DF). Em 2007, o Telinha foi escolhido como melhor projeto nacional de educação utilizando mídias móveis no Prêmio EDU.Mov, promovido pelo Instituto Telemig Celular.



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